No Clube Financeiro Génova de Madrid, com a presença do Dr. Luis María Linde, Governador do Banco de Espanha, a Câmara celebrou um Almoço-Colóquio com o Governador do Banco de Portugal, Dr. Carlos da Silva Costa.

Neste fórum, que juntou mais de meia centena de executivos da banca e de empresas luso-espanholas e a que também assistiu o Dr. Juan Pablo Lázaro, presidente da CEIM (Confederación de Empresarial de Madrid) e Presidente, por sua vez, do Clube Financeiro Génova, foi exposto o processo de recuperação que o sistema financeiro português está a atravessar, que se manifesta também pela aposta feita pelas empresas espanholas que têm investido em Portugal.

Espanha continua a ser o principal cliente e fornecedor de Portugal, à frente de países como França, Itália, Alemanha, Bélgica ou Japão. Ambas as economias têm beneficiado também da redução do preço do petróleo e da melhoria das economias desenvolvidas da União Europeia.

Aproveitando a presença dos dois Governadores, o Presidente da Câmara de Comércio Hispano Portuguesa, Dr. António Calçada de Sá pediu-lhes para terem em conta as necessidades das empresas e que as suas decisões sirvam para facilitar o acesso ao financiamento para realizar os investimentos necessários e para que a atividade diária nos permita continuar a crescer e garantir a continuação das nossas empresas.

Governador do Banco de Portugal desde 2010, Carlos da Silva Costa apostou por uma integração ibérica mais intensa através de uma maior cooperação entre ambos os países. Segundo o governador luso, todas as economias, sobretudo as do Sul da Europa, têm problemas, mas é preciso fazer ajustamentos que nos deem margem de manobra sob o ponto de vista fiscal e de competitividade.

La Unión Bancaria

Afirmou que o setor financeiro espanhol conta com “excelentes atores” e mostrou-se confiante em que os países da Península Ibérica “tenham um papel importante” no processo de consolidação bancária europeia, no qual haverá uma redução “significativa” no número de grandes entidades financeiras nos próximos anos.

O Governador Carlos da Silva Costa referiu-se também, como era de esperar, à União Bancária que disse ser incompleta, sendo por isso necessário dar um passo em frente nessa união. “Temos de ter mecanismos de assistência mútua financeira baseados no bom comportamento dos países. Mas se houver algum que não seja virtuoso, não devemos expulsar-lhe, mas sim resgatar-lhe e reintegrar-lhe no grupo”. Também assinalou que os bancos têm de promover instituições fortes, assegurar a estabilidade financeira, pensar na segurança dos depositantes e na confiança.

O Governador do Banco de Portugal concluiu assinalando que “temos de contar com um Banco Central muito ativo que antecipe os problemas e consiga distribuir rendimentos entre trabalhadores e empresários. Queremos entidades eficientes para dar financiamento a empresas e clientes. O passado já não volta, é preciso pensar no futuro”.