A Câmara de Comércio e Indústria Hispano Portuguesa (CHP) quis centrar-se, neste momento, num tema tão importante e fundamental para a competitividade empresarial, como é a Tecnologia e a Inovação, António Calçada de Sá, na apresentação e abertura do colóquio. A I+D+i – afirmou – há-de ter um maior desenvolvimento nas economias mais globais, mas também nas mais locais, que geram novos clientes, novos produtos, novos serviços, mais riqueza e mais postos de trabalho, o que é uma questão que nos preocupa a todos.

Para o presidente da CHP, a palavra inovação é continuamente usada enquanto sinónimo de progresso, de desenvolvimento tecnológico, de criação de emprego, de melhoria das condições de vida … “Falamos sobre a inovação no campo económico, mas também falamos em inovação quando pensamos na sociedade, na saúde, no lazer, nas questões profissionais, no transporte, etc…. Por tudo isto – disse – convidaram-se três especialistas na área que podem dar uma perspectiva interessante sobre uma questão tão fundamental no mundo de hoje”.

A Secretária de Estado de Investigação, Desenvolvimento e Inovação iniciou o seu discurso alertando para um novo conceito de inovação em que não haja “áreas estanques”. Carmen Vela analisou a estratégia I+D+i espanhola que “quer ir mais longe na investigação e inovação, baseando-se em pilares como o talento, a empregabilidade e a formação; uma I+D+i orientada para responder aos desafios da sociedade”.

Para Vela, “um dos maiores desafios do nosso sistema de inovação é a ainda reduzida contribuição por parte de empresas nesta matéria, uma vez que se teria que alocar um maior orçamento para I+D+i”, reconhecendo, contudo, que há já setores em que as empresas “sim, estão a contribuir”.

Embora entre 2000 e 2010 se tenha realizado um avanço notável em I+D, existe ainda pouca dedicação empresarial a este conceito, uma parceria público-privada com pouco peso e um baixo valor de retorno económico. “Há muitos desafios pela frente”, afirmou. Vela destacou também que a estratégia de inovação começa pelas e nas pessoas. “Temos que ser capazes de criar talento e usá-lo mais tarde, o que tornará mais fácil a passagem da investigação à inovação. Devemos ser capazes de gerar conhecimento e que o mesmo seja de qualidade”, acrescentou. A Secretária de Estado explicou que em países como o Japão 80% da I+D vem do setor privado e que o objectivo da UE é chegar aos 66,6%. Espanha não chega a 50%. Para alcançar este objetivo, Vela recomenda o uso de “ferramentas que já estão disponíveis, como os créditos do CDTI, que, para este 2014, têm um orçamento de 1.100 milhões de euros”. Quanto a subsídios, disse que “são bons para o negócio, sempre que esse dinheiro sirva para catalizar ações”.

Por fim, a Secretária de Estado reforçou que “nós queremos ser actores principais (a partir de Espanha) no programa Horizonte 2020 e obter o maior retorno possível dos projetos”. A estratégia de I+D+i em Espanha foi projetada olhando para a Europa, em particular para o programa Horizonte 2020”. E destacou que o programa Horizonte Europeu 2020 é uma fonte de oportunidades para Espanha. Com 80.000 milhões de orçamento, o objetivo é que Espanha possa ficar com 9,5% desse montante. “Queremos que 10% das propostas esteja coordenado por atores nacionais”, disse. “Esse número seria um grande retorno para nós, porque isso significa fazer ciência e inovação”.

“Espanha e Portugal – terminou – estamos juntos na moderação e no progresso. Sou a favor da colaboração e encontramos a medida certa para articular um envolvimento na área da nanotecnologia”. Há que recordar que, muito recentemente, os governos da Argentina, Portugal e Espanha assinaram, em Lisboa, um memorando de entendimento conjunto para fortalecer a cooperação científica e a cooperação tripartida no campo da nanotecnologia.

Para Javier Rodríguez, presidente da Google Espanha, Portugal, Turquía y Norte de África, “o futuro é agora”. Estamos num mundo em que há muita inovação e interligado através da Internet. Os custos de produção diminuem em progressão geométrica, por isso é muito mais competitivo”. A inovação, segundo o próprio, começa no utilizador e não na empresa.”Hoje, há 7.200 milhões de pessoas em todo o mundo e 2.200 estão conectadas à rede. Em sete anos, o resto também estará. Na minha empresa somos parte ativa da mudança. Às vezes ouço que o Google não pensa na sua concorrência. Não é isso, só que dedicamos toda a energia a criar novas ideias e, em consequência, surgem novos mercados nos quais há que manter um papel importante”.

Javier Rodríguez prevê que os modelos de negócio se alterem. “Na próxima década, teremos uma sociedade totalmente conectada e a inovação vai propor desafios que nada têm a ver com o que já aconteceu até hoje. A ligação à Internet ainda é cara, mas há que descobrir forma para que chegue a todos”. “O Futuro é hoje – concluiu –, mas, cuidado, vamos muito rápido”.

Centrando-se-se em áreas como a gestão do conhecimento, a implementação de sistemas em empresas e, mais recentemente, a gestão de risco empresarial, o professor Esteves do IE Business School acredita que o que determina o sucesso ou o fracasso da implementação de sistemas tecnológicos é a maneira como as pessoas interagem com a tecnologia. A riqueza da sua experiência no mundo corporativo transparece nas suas considerações. Como analista de sistemas de informação e consultor em empresas como a Ciba-Geigy e o Grupo Sonae, e antes de entrar no meio académico, o professor Esteves analisou ​​como os sistemas de informação interagem com os processos de negócio e a gestão de recursos humanos. “Os pacotes de software das empresas apoiam a gestão de toda a organização. Estes sistemas mudam tanto a forma como trabalhamos, como a cultura corporativa, fatores essenciais para o êxito”, disse. “Tudo tem a ver com o comportamento humano, individual, organizacional e social, e dever-se-ia analisar o domínio dos sistemas e tecnologias de informação a estes três níveis”. Em conclusão, afirmou que os atores mudaram: os clientes e os desafios, a pessoa tecnológica, o mercado global e a tecnologia “que encanta”. E um lema final: “A inovação não é o que alguém faz, mas sim o que ninguém se atreveria a fazer”, concluiu.